Arquitetos da Resposta Inflamatória
Sumário – Monócitos e Macrófagos
Origem, Linhagem e Subtipos dos Monócitos e Macrófago
Os monócitos e macrófagos constituem o eixo central do chamado sistema fagocítico mononuclear, um conjunto integrado de células especializadas em fagocitose, remoção de detritos celulares, apresentação de antígenos e modulação da inflamação. Diferentemente dos neutrófilos, que atuam de forma rápida e predominantemente destrutiva, monócitos e macrófagos exercem uma função mais duradoura, reguladora e reparadora, ocupando um papel de “arquitetos” da resposta inflamatória.
Ambos pertencem à linhagem mieloide e se originam de progenitores hematopoéticos da medula óssea. No entanto, a biologia moderna desses fagócitos é mais complexa do que o antigo conceito de que “todo macrófago deriva de um monócito circulante”. Hoje se reconhece a existência de macrófagos teciduais residentes de origem embrionária, que colonizam órgãos ainda durante o desenvolvimento fetal e se mantêm por auto-renovação local.
Monócitos Circulantes – A Frente de Reserva do Sistema Fagocítico
Os monócitos são leucócitos circulantes de grande tamanho (em torno de 15–20 μm), com núcleo em formato de rim ou ferradura e citoplasma abundante, levemente azul-acinzentado, frequentemente contendo vacúolos claros. No hemograma, normalmente representam cerca de 2–8% dos leucócitos, com valores absolutos em torno de 200–800 células/μL.
Numa visão funcional, os monócitos atuam como uma “reserva móvel” de precursores para macrófagos e células dendríticas. Quando há inflamação ou dano tecidual, essas células migram para os tecidos, onde se diferenciam sob influência de citocinas locais (como M-CSF e GM-CSF) em subtipos macrofágicos com perfis funcionais distintos.
Subtipos de Monócitos Circulantes
Com o avanço da citometria de fluxo, os monócitos humanos passaram a ser classificados em três subpopulações principais, com base na expressão de CD14 e CD16:
| Subtipo | Marcadores | Funções principais |
|---|---|---|
| Monócitos clássicos | CD14++ CD16– | Fagocitose intensa, resposta a infecções bacterianas e migração rápida para tecidos inflamados. |
| Monócitos intermediários | CD14++ CD16+ | Produção robusta de citocinas, ponte entre inflamação e resolução. |
| Monócitos não clássicos | CD14+ CD16++ | “Patrulhamento” endotelial, vigilância vascular e remoção de detritos. |
Essa heterogeneidade demonstra que os monócitos não são apenas “pré-macrófagos”, mas um conjunto sofisticado de células com especializações funcionais, ajustadas às necessidades do organismo em diferentes contextos inflamatórios e vasculares.
Macrófagos Teciduais – Residentes de Longa Duração
Os macrófagos são células residentes dos tecidos, derivadas tanto de monócitos circulantes recrutados quanto de progenitores embrionários. Em órgãos como fígado (células de Kupffer), pulmões (macrófagos alveolares), sistema nervoso central (microglia) e ossos (osteoclastos), populações específicas de macrófagos se estabelecem precocemente e se mantêm por replicação local.
Embora todos compartilhem as mesmas funções básicas — fagocitose, apresentação de antígenos e liberação de citocinas —, eles recebem nomes específicos conforme o tecido onde atuam, pois se adaptam morfologicamente e funcionalmente ao microambiente local. Essa especialização é chamada de plasticidade funcional, e permite que os macrófagos assumam perfis distintos (por exemplo, pró-inflamatório M1 ou reparador M2) de acordo com as necessidades do tecido. Além disso, os fatores locais (citocinas, hormônios, moléculas da matriz extracelular e condições de oxigenação) moldam o fenótipo e o nome funcional de cada população.
O que gera a plasticidade funcional dessas células é o fato delas apresentarem grande plasticidade fenotípica: o mesmo macrófago pode assumir perfis pró-inflamatórios, reparadores, imunorreguladores ou pró-tumorais, dependendo do microambiente de citocinas, da presença de PAMPs/DAMPs e de sinais metabólicos locais.
- Células de Kupffer (fígado): filtram o sangue portal, removendo bactérias, endotoxinas e hemácias envelhecidas.
- Macrófagos alveolares (pulmões): mantêm a esterilidade relativa dos alvéolos e regulam a resposta inflamatória às partículas inaladas.
- Microglia (SNC): monitoram a integridade neuronal, modulam sinapses e participam de processos neurodegenerativos.
- Osteoclastos (osso): realizam reabsorção óssea, sendo fundamentais para remodelamento e homeostase esquelética.
Esse mosaico de macrófagos especializados reflete o princípio de que a imunidade inata é profundamente contextual: a mesma linhagem celular assume identidades múltiplas para atender às necessidades locais de cada tecido.
Tabela – Tipos de macrófagos teciduais e suas localizações
| Nome específico | Localização tecidual | Origem predominante | Função principal |
|---|---|---|---|
| Células de Kupffer | Fígado (sinusoides hepáticos) | Monócitos circulantes e precursores embrionários | Fagocitose de hemácias envelhecidas, detoxificação de macromoléculas e defesa hepática. |
| Macrófagos alveolares | Pulmões (espaço alveolar) | Precursores embrionários | Fagocitam partículas inaladas e microrganismos; modulam resposta inflamatória pulmonar. |
| Micróglia | Sistema nervoso central | Precursores do saco vitelino (fase embrionária precoce) | Removem sinapses e debris neuronais, participam da imunovigilância cerebral. |
| Macrófagos esplênicos | Baço (polpa vermelha) | Monócitos circulantes | Reciclam hemoglobina e removem eritrócitos senescentes. |
| Macrófagos da medula óssea | Medula óssea | Monócitos | Regulam eritropoese e fagocitam células hematopoiéticas apoptóticas. |
| Macrófagos peritoneais | Cavidade peritoneal | Monócitos | Defesa contra infecções abdominais e manutenção do equilíbrio imune. |
| Macrófagos sinoviais | Membrana sinovial (articulações) | Monócitos | Produzem citocinas e enzimas que modulam inflamação articular (relevantes na artrite reumatoide). |
| Macrófagos intestinais (lamina própria) | Trato gastrointestinal | Monócitos | Mantêm tolerância imunológica à microbiota e removem patógenos intestinais. |
| Macrófagos dérmicos | Pele (derme) | Monócitos | Atuam na cicatrização, inflamação local e defesa contra patógenos cutâneos. |
| Células de Langerhans | Epiderme e mucosas | Células dendríticas (linhagem relacionada) | Apresentação de antígenos aos linfócitos T (ponte entre inato e adaptativo). |
| Osteoclastos | Tecido ósseo | Fusão de monócitos/macrófagos | Reabsorção óssea e remodelação esquelética. |
| Macrófagos placentários (Hofbauer) | Placenta (vilosidades coriônicas) | Células embrionárias | Defesa imune fetal e regulação angiogênica na placenta. |
Morfologia e Localização dos Monócitos e Macrófagos
Do ponto de vista citomorfológico, monócitos e macrófagos compartilham características comuns, porém adaptadas aos diferentes ambientes em que atuam.
Monócitos no Sangue Periférico
Ao microscópio óptico (colorações como May-Grünwald-Giemsa), monócitos apresentam:
- Tamanho: 15–20 μm, maiores que neutrófilos.
- Núcleo: volumoso, com formato de rim, ferradura ou dobrado, cromatina frouxa.
- Citoplasma: amplo, azul-acinzentado, com grânulos finos e vacúolos claros.
Essas características refletem uma célula metabolicamente ativa, com alta capacidade de síntese e processamento de material fagocitado.
Macrófagos Teciduais
Nos tecidos, macrófagos assumem morfologias diversas:
- Macrófagos “espumosos”: com citoplasma repleto de gotículas lipídicas, típicos em lesões ateroscleróticas.
- Macrófagos epiteloides: com citoplasma abundante e bordas indistintas, formam granulomas em infecções crônicas (como tuberculose).
- Células gigantes multinucleadas: fusão de múltiplos macrófagos, característica de inflamações granulomatosas intensas.
Em preparações histológicas, esses fagócitos podem ser identificados por marcadores imunohistoquímicos como CD68, CD163 e CSF1R.
Ao integrar esses aspectos, fica evidente que monócitos e macrófagos formam um continuum funcional e morfológico, transitando do sangue para os tecidos e assumindo formas especializadas conforme as necessidades locais do organismo.
MONÓCITOS vs MACRÓFAGOS
| Característica | Monócitos (sangue) | Macrófagos (tecidos) |
|---|---|---|
| Localização | Circulação sanguínea | Tecidos periféricos (como fígado, pulmões, baço, intestino etc.) |
| Origem | Derivam de células-tronco hematopoiéticas na medula óssea | Derivam de monócitos recrutados ou de linhagens residentes |
| Capacidade fagocítica | Presente, porém menos intensa | Altamente especializada e eficiente |
| Estado funcional | Já funcionais, mas em estado de prontidão | Altamente ativados e adaptados ao microambiente |
| Plasticidade funcional | Limitada | Alta (podem se polarizar em M1 ou M2) |
| Apresentação de antígenos | Moderada (MHC II pode ser expresso, mas em menor grau) | Forte expressão de MHC II e coestimuladores após ativação |
| Produção de citocinas | Sim, citocinas pró-inflamatórias | Sim, dependendo do fenótipo (M1: inflamatórias; M2: anti-inflamatórias) |
| Função principal | Patrulhamento, início da resposta inflamatória, reserva | Fagocitose, apresentação de antígenos, regulação e reparo tecidual |
| Diferenciação | Se diferenciam em macrófagos ao entrar nos tecidos | Estado final (embora adaptável) |

Funções Efetoras e Imunorregulação dos Monócitos e Macrófagos
Monócitos e macrófagos são, simultaneamente, soldados e gestores da resposta imune. Eles realizam desde a eliminação física de patógenos até a coordenação fina de processos inflamatórios e reparadores.
Fagocitose e Remoção de Detritos
Uma das funções centrais desses fagócitos é a fagocitose de partículas estranhas, microrganismos, células apoptóticas e detritos teciduais.
- Reconhecimento: receptores como TLRs, receptores de manose, scavenger receptors e receptores para opsoninas (FcγR, CR3) identificam alvos.
- Englobamento: formação de pseudópodes e internalização em fagossomos.
- Fusão com lisossomos: formação de fagolisossomos com enzimas hidrolíticas e espécies reativas de oxigênio (ERO).
- Degradação: digestão de componentes e reciclagem de moléculas úteis.
Esse processo não apenas elimina patógenos, mas também limpa o campo inflamatório, favorecendo a resolução e a cicatrização.
Apresentação de Antígenos
Macrófagos funcionam como células apresentadoras de antígenos (APCs), especialmente em ambientes inflamatórios.
- Expressam MHC classe II e moléculas coestimuladoras como CD80 e CD86.
- Processam antígenos fagocitados e os apresentam a linfócitos T CD4+.
- Produzem citocinas (como IL-12, IL-1β, TNF-α) que modulam a polarização de linfócitos T.
Assim, participam da ponte entre imunidade inata e adaptativa, influenciando o tipo de resposta que será desencadeada (Th1, Th2, Th17 ou Treg).
Produção de Citocinas e Quimiocinas
Os macrófagos produzem uma ampla gama de mediadores solúveis:
- Citocinas pró-inflamatórias: TNF-α, IL-1β, IL-6, que induzem febre, síntese de proteínas de fase aguda e recrutamento leucocitário.
- Citocinas anti-inflamatórias: IL-10, TGF-β, que limitam a inflamação excessiva e promovem reparo.
- Quimiocinas: como CCL2 (MCP-1), que recrutam monócitos adicionais para o sítio inflamatório.
O equilíbrio entre esses mediadores determina se a inflamação será resolvida ou se evoluirá para processos crônicos e degenerativos.
Integração com o Metabolismo Tecidual
Macrófagos também atuam como sensores metabólicos:
- No tecido adiposo, macrófagos M1 associam-se à obesidade e resistência à insulina, enquanto M2 contribuem para homeostase metabólica.
- Na placa aterosclerótica, macrófagos espumosos acumulam lipídios e participam da progressão da aterosclerose.
Essa interface entre imunidade e metabolismo é hoje um dos campos mais dinâmicos da imunologia moderna.

Polarização M1/M2 e Plasticidade dos Macrófagos
A noção de que macrófagos se dividem em dois subtipos – M1 (clássicos) e M2 (alternativamente ativados) – tornou-se um paradigma didático para explicar a sua plasticidade funcional. Embora essa classificação seja simplificada, ela ainda é útil para compreender tendências gerais de resposta.
Macrófagos M1 – Perfil Pró-inflamatório
- Estímulos predominantes: IFN-γ, LPS, produtos microbianos que ativam TLRs.
- Funções: produção de TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-12, espécies reativas de oxigênio e nitrogênio (NO).
- Papel biológico: eliminação de patógenos intracelulares, resposta efetora em infecções agudas e apoio à resposta Th1.
Macrófagos M2 – Perfil Reparador e Imunorregulador
- Estímulos predominantes: IL-4, IL-13, IL-10, corticosteroides.
- Funções: produção de IL-10, TGF-β, fatores de crescimento (TGF-β, VEGF), promoção de angiogênese, deposição de matriz extracelular e reparo tecidual.
- Papel biológico: resolução inflamatória, cicatrização e remodelamento.
Na prática, macrófagos raramente se enquadram de forma rígida em “M1” ou “M2”. Em vez disso, exibem um espectro contínuo de estados, ajustando sua expressão gênica conforme os estímulos ambientais.
Imunometabolismo e Reprogramação Funcional
A distinção entre M1 e M2 também se reflete no metabolismo celular:
- Macrófagos M1: predominância de glicólise aeróbia, associada à rápida produção de energia e mediadores inflamatórios.
- Macrófagos M2: maior dependência de fosforilação oxidativa mitocondrial e oxidação de ácidos graxos.
Essas vias metabólicas não são apenas consequência, mas também causa da programação funcional, abrindo caminho para estratégias terapêuticas que visam reprogramar macrófagos por meio de intervenções metabólicas.
Correlação Clínica e Hemograma dos Monócitos e Macrófagos
No contexto clínico, a avaliação de monócitos e macrófagos envolve principalmente:
- Hemograma e contagem diferencial – para análise de monócitos circulantes.
- Biópsias e imuno-histoquímica – para investigar macrófagos teciduais em processos inflamatórios, infecciosos e neoplásicos.
Monócitos no Hemograma
Valores de referência aproximados em adultos:
- Percentual: 2–8% dos leucócitos totais.
- Absoluto: 200–800 células/μL.
| Alteração | Características | Causas principais | Interpretação |
|---|---|---|---|
| Monocitose | Contagem > 800 células/μL | Infecções crônicas (tuberculose, endocardite), doenças autoimunes, neoplasias mieloproliferativas | Indica ativação persistente da imunidade inata ou expansão clonal mieloide |
| Monocitopenia | Contagem muito reduzida (< 200 células/μL) | Uso de quimioterápicos, falência medular, estados de imunossupressão grave | Reflete deficiência na capacidade fagocítica sistêmica |
Nota interpretativa: a monocitose isolada deve ser sempre analisada em conjunto com outros parâmetros hematológicos (neutrófilos, linfócitos, eosinófilos, plaquetas) e com o quadro clínico do paciente. Em doenças como a leucemia mielomonocítica crônica, por exemplo, a monocitose é persistente e associada a alterações morfológicas e citogenéticas.
Macrófagos em Patologia Tecidual
Na prática de anatomia patológica, macrófagos são avaliados em biópsias de órgãos e lesões:
- Granulomas: estruturas organizadas formadas por macrófagos epiteloides e células gigantes, típicas de tuberculose, sarcóide e outras infecções crônicas.
- Lesões ateroscleróticas: macrófagos espumosos repletos de lipídios, marcando o acúmulo de LDL oxidada na íntima arterial.
- Microglia ativada: em doenças neurodegenerativas (como Alzheimer), evidenciando a participação da imunidade inata na patogênese cerebral.
Marcadores Bioquímicos Associados
Embora não haja um “exame de sangue para macrófagos” equivalente à triptase dos mastócitos, alguns marcadores indiretos refletem sua atividade:
- Proteínas de fase aguda (PCR, fibrinogênio): induzidas por citocinas produzidas por macrófagos (IL-6, IL-1β, TNF-α).
- Ferritina sérica: frequentemente elevada em estados inflamatórios intensos, refletindo o sequestro e reciclagem de ferro por macrófagos.
- Citocinas plasmáticas: dosagem de TNF-α, IL-6 e IL-10 em contextos de pesquisa e em alguns quadros graves (como tempestade de citocinas).
Esses elementos, combinados ao exame clínico, permitem avaliar o estado inflamatório global do organismo e a participação do eixo monócito–macrófago em diferentes doenças.
Curiosidades Científicas Recentes sobre Monócitos e Macrófagos
Nas últimas décadas, o estudo de monócitos e macrófagos passou por uma verdadeira revolução conceitual. De simples “células fagocíticas”, essas unidades se tornaram protagonistas em áreas como imunometabolismo, neuroimunologia e imuno-oncologia.
Macrófagos Residente-Embrionários e Auto-renovação
Estudos de rastreamento celular em modelos murinos demonstraram que muitos macrófagos teciduais – como microglia, células de Kupffer e macrófagos alveolares – se originam de progenitores do saco vitelino e do fígado fetal, colonizando os órgãos ainda no desenvolvimento embrionário. Ao contrário do que se pensava, esses macrófagos não dependem continuamente de monócitos circulantes, mas se mantêm por auto-renovação local.
Essa descoberta redefiniu o entendimento da memória tecidual da imunidade inata: macrófagos residentes podem guardar um “histórico inflamatório” do tecido, influenciando respostas futuras.
Imunometabolismo e Doenças Crônicas
A interface entre metabolismo e imunidade revelou que macrófagos são peças-chave em doenças crônicas:
- Na obesidade, macrófagos M1 infiltram o tecido adiposo, produzindo TNF-α e IL-6, que contribuem para resistência à insulina.
- Na aterosclerose, macrófagos espumosos acumulam colesterol, perpetuando a inflamação vascular e a instabilidade de placas.
Esses achados abriram caminho para terapias que visam reprogramar metabolicamente macrófagos, promovendo perfis mais resolutivos (pró-M2) em vez de destrutivos (pró-M1).
Macrófagos e Câncer – Aliados ou Inimigos?
Os macrófagos associados a tumores (TAMs) são hoje um dos alvos mais estudados na imuno-oncologia. Dependendo do microambiente, esses macrófagos podem:
| Perfil | Mediadores | Efeito no tumor |
|---|---|---|
| TAMs pró-tumorais (M2-like) | IL-10, TGF-β, VEGF, MMPs | Promoção de angiogênese, invasão tumoral e evasão imune |
| TAMs antitumorais (M1-like) | TNF-α, IL-12, ROS/RNS | Ativação de linfócitos T citotóxicos e destruição tumoral |
Novas terapias buscam redirecionar TAMs de um perfil M2-like para M1-like, potencializando a eficácia da imunoterapia e da quimioterapia.
Monócitos como Biomarcadores Prognósticos
Em diversas doenças, a proporção de monócitos – especialmente de subtipos CD16+ – tem sido estudada como biomarcador de risco e prognóstico:
- Em doenças cardiovasculares, níveis elevados de monócitos não clássicos associam-se a maior risco de eventos aterotrombóticos.
- Em neoplasias hematológicas, monocitose persistente pode sinalizar transformações mielodisplásicas ou mielomonocíticas.
Ao acompanhar essas descobertas, fica claro que monócitos e macrófagos são muito mais do que “faxineiros” do organismo: são curadores, arquitetos e, às vezes, sabotadores da fisiologia humana, dependendo de como são programados e regulados.
Comparativos Importantes:
Monócitos/Macrófagos vs Neutrófilos: quem é mais especializado?
A resposta depende do critério de “especialização” que consideramos:
Se “especialização” for rapidez, agressividade e foco em destruir patógenos → os neutrófilos são os mais especializados.
São verdadeiros “soldados de choque” da imunidade inata: migram rapidamente, fagocitam e liberam enzimas destrutivas, espécies reativas de oxigênio (ROS), e morrem logo depois (vida curta, ação intensa).Se “especialização” for versatilidade funcional, regulação e apresentação de antígenos → os monócitos/macrófagos levam vantagem.
Além de fagocitar, eles orquestram a resposta imune, apresentam antígenos, produzem uma diversidade de citocinas e participam da resolução da inflamação e reparo tecidual.
OUTRAS DIFERENÇAS IMPORTANTES
Tempo de ação: neutrófilos são os primeiros a chegar ao local de infecção (em horas), enquanto os monócitos migram depois (em 24–48h).
Vida útil: neutrófilos vivem horas ou poucos dias, já os monócitos/macrófagos podem sobreviver dias a semanas, dependendo do estímulo.
Morte: neutrófilos frequentemente morrem por NETose ou apoptose após liberação de conteúdo tóxico. Macrófagos sobrevivem e regulam o ambiente após a destruição dos patógenos.
MONÓCITOS/MACRÓFAGOS vs NEUTRÓFILOS
| Característica | Monócitos/Macrófagos | Neutrófilos |
|---|---|---|
| Origem | Medula óssea → monócitos → macrófagos nos tecidos | Medula óssea |
| Presença no sangue | Monócitos circulam (~5% dos leucócitos) | Neutrófilos são os mais abundantes (~60–70% dos leucócitos) |
| Migração para tecidos | Monócitos migram e se diferenciam em macrófagos | Neutrófilos também migram rapidamente para locais inflamatórios |
| Capacidade fagocítica | Alta, porém mais regulada e versátil | Muito alta e agressiva |
| Especialização funcional | Versatilidade: fagocitose, apresentação de antígenos, regulação | Especialização: destruição imediata e massiva de patógenos |
| Apresentação de antígenos | Sim (principalmente macrófagos com MHC II) | ❌ Não apresentam antígenos |
| Produção de citocinas | Sim (pró e anti-inflamatórias, dependendo do fenótipo) | Sim, mas mais restritas a citocinas pró-inflamatórias |
| Tempo de vida | Longo (dias a semanas) | Curto (horas a poucos dias) |
| Papel na inflamação | Resolução da inflamação, reparo tecidual | Início da inflamação, dano tecidual colateral |
💡 BioSegredos Explica
- Os neutrófilos são fagócitos especializados em resposta rápida e destrutiva, sendo vitais na primeira linha de defesa.
- Os monócitos/macrófagos são mais versáteis, duradouros e reguladores, fundamentais para a continuidade e resolução da resposta imune.
Resumo Visual – Monócitos e Macrófagos
Origem & Subtipos
Monócitos (2–8% dos leucócitos) originam-se da medula óssea e se dividem em clássicos, intermediários e não clássicos. Macrófagos teciduais podem derivar de monócitos ou de progenitores embrionários, mantendo-se por auto-renovação.
Morfologia & Localização
Monócitos: grandes, núcleo em “rim”, citoplasma azul-acinzentado com vacúolos. Macrófagos: altamente plásticos (espumosos, epiteloides, gigantes multinucleados), distribuídos em fígado, pulmões, SNC, ossos e outros tecidos.
Função Efetora
Fagocitose de patógenos e detritos, formação de fagolisossomos, produção de ERO/NO, apresentação de antígenos (MHC II, CD80/CD86) e coordenação da resposta inflamatória via citocinas.
Polarização M1/M2
M1: estimulados por IFN-γ/LPS, perfil pró-inflamatório (TNF-α, IL-1β, IL-6, IL-12, ROS/NO).
M2: ativados por IL-4/IL-13/IL-10, perfil reparador (IL-10, TGF-β, VEGF), favorecendo cicatrização e remodelamento.
Clínica & Hemograma
Monocitose (>800/μL): sugere infecções crônicas, autoimunidade ou neoplasias mieloides. Monocitopenia: associada a falência medular/imunossupressão. Macrófagos são avaliados em biópsias (granulomas, aterosclerose, microglia).
Fronteiras da Pesquisa
Macrófagos residentes embrionários, imunometabolismo (obesidade, aterosclerose), TAMs (macrófagos associados a tumores) e reprogramação terapêutica são temas centrais na imunologia moderna.
© BioSegredos – Ciência com Clareza.
Leitura recomendada
Para aprofundar no estudo acerca das funções dos diferentes tipos de células imunitárias, reviste a seção de Células do Sistema Imune .
Referências Científicas
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- Chakarov S, Lim HY, Tan L, et al. Tissue-resident macrophages are derived from yolk-sac progenitors. Science. 2019;363(6432):eaat6202. Link
Fontes selecionadas das revistas Nature, Science, Cell, NEJM e The Lancet.
Curadoria científica © BioSegredos – Ciência com Clareza.
